Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Niepoort Vintage 2007

Não são todos os dias que provamos e principalmente saboreamos um Vintage. Por duas principais razões: o preço, normalmente elevado, e o facto de ter de ser consumido rapidamente para aproveitar o que de tão bom ele tem. Não tenhamos a minima dúvida, estamos perante um vinho fortificado que nos devia encher de orgulho e que muitas vezes o esquecemos em deterimento de bebidas importadas e espirituosas. É uma pena.
Agora viramo-nos para Santo Adrião, em plena região do Douro, onde se situa a Quinta de Nápoles da família Niepoort.
Com uma longa história na produção de Vinho do Porto, desde 1842, portanto 5 gerações de grandes vinhos, a Niepoort é um dos produtores com mais renome no Douro, tanto em Portos como mais recentemente em vinhos de mesa. Qualquer coisa que saia dali, podemos ficar descansados com a sua alta qualidade, podemos comprar às cegas.
O vinho em prova é o Vintage da colheita de 2007. Segundo o produtor, "Depois de alguns invernos severamente secos, o Invernos de 2006/07 foi adequado para recolocar as reservas de água no solo no seu ponto perfeito. Em 2007 as vindimas começaram na histórica adega de Vale de Mendiz em 14 de Setembro, 6.a feira. Apesar de uma breve tempestade em 16 de Setembro e leves chuvas no final do mesmo mês, a vindima decorreu em condições excelentes. Os mostos em fermentação exibiam já cor muito carregada e densa, e uma acidez natural muito boa, evitando grandes correcções ácidas." Boas notícias, portanto. As castas utilizadas são a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz e outras. Pisa a pé e estagio de 2 anos em toneis de madeira antigos.
Uma cor muito escura, praticamente opaca. Os aromas são intensos e concentrados, com notas de farmácia, mineral e chocolate amargo. A fruta é madura e muito gulosa, com notas de cerejas doces e amoras. As flores aparecem frescas e viçosas a lembrar violetas. Boca potente e muito fresca, de impressionante amplitude. A fruta é concentrada e bem acompanhada por notas balsâmicas e flores. Fundo mineral com ligeiro chocolate. Final muito longo e complexo.
Estamos na presença de um vinho que quase nos deixa sem palavras. Um vinho concentrado, potente, mas com uma frescura e elegância próprias dos grandes. É um enorme prazer poder degustar vinhos como este. Bebe-lo agora dá imenso prazer, esperar uns bons anos, irá ser único. 18,5.

Couteiro-Mor tinto 2008


De volta a Montemor e à Herdade do Menir, temos um tinto que é um dos meus favoritos para o dia a dia e especialmente para o Verão, época que não apetece beber tintos pesados e complexos.
Tinto feito de Aragonês, Trincadeira e Castelão e estagio em inox até ao seu engarrafamento.
Tem uma cor rubi escuro. Aroma intenso e jovem. Muita fruta a lembrar ameixas pretas maduras, morangos. Continua achocolatado e com ligeiro fumo. Boca de médio corpo, boa acidez. Frutada, com morangos e groselhas. Ligeiro chocolate. Final mediano, com fruta.
Continua na senda dos anos anteriores, bem feito, redondinho, que dá prazer beber. Não temos de puxar pela cabeça com aromas complexos. Por menos de 3 euros, é do que melhor anda no mercado. 15.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Fonte do Nico rosé light 2008

Chegou o Verão e com ele chegaram os vinho brancos e os rosés. Chegam as novidades da última colheita e a escolha, a meu ver, é bastante vasta.
Entre os rosés que vão sendo lançados no mercado, uns novas colheitas, outros novidades e ainda outros capazes de nos despertar a atenção pelo seu conceito. Foi o caso deste rosé que está em prova, um rosé light! Uma tentativa de chegar aos consumidores jovens que se preocupam com a imagem e com a linha, mas que no fundo não tem menos calorias que o "normal" mas sim uma graduação alcoólica mais baixa, 10%. Não deixa de ser uma aposta bem pensada e mais uma mostra de vitalidade da Adega de Pegões.
Outra boa notícia é o preço, cerca de 2,50 euros, que não nos faz pensar muito na possibilidade de o vinho ser muito mau.
Com a enologia de Jaime Quendera e com a casta Castelão, este vinho salta para o copo com uma cor salmão. O aroma é de boa intensidade e com muitas notas de fruta vermelha com clara predominância de morangos, alguns em goma. Boca de corpo leve, adocicada e com acidez mediana. Novamente "amorangada" e muito directa. Final curto e doce.
Era aquilo que esperávamos, um vinho bem feito, agradável, leve, consensual. Na minha opinião, é perfeito para este Verão, para ser bebido despreocupadamente. Também queremos isso, não é verdade? 14,5.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

S de Soberanas tinto 2004

A Herdade das Soberanas, apesar de estar em pleno Alentejo, pertence à região vitivinícola das Terras do Sado. Aliás, tem todas as características paisagisticas do Alentejo, os montados de sobreiros e azinheiras. Como diz o site do produtor "Os matizes e os aromas característicos de cada estação do ano fazem das Soberanas um local de permanente descoberta. Os dias e as noites marcam a memória e os sentidos de forma indelével. É a expressão da terra na sua forma mais pura, resultado do labor humano e da sintonia com as necessidades, o saber e a intuição dos que diariamente nela trabalham e dela dependem. É também a inigualável magia da planície alentejana." O nome Soberanas vem de uma ribeira que atravessa a Herdade, a Ribeira das Soberana.
Falando do néctar que temos em prova, ele foi prémio de excelência do ano 2007 da Revista de Vinhos, que para primeira colheita deste topo de gama foi uma surpresa, não pela falta de qualidade do vinho mas pela rápida ascenção da marca.
O S de Soberana tem as castas Trincadeira e Alicante Bouschet, o que não admira dada a enologia ser de Paulo Laureano, e estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês.
Um vinho que saiu para o mercado com um preço de 30 euros.
O vinho sai da garrafa com uma cor muito escura. O aroma é intenso, com muitas notas balsâmicas provenientes do estágio em madeira. Muita cera. A fruta apresenta-se gulosa, com notas de cerejas e ameixas doces. Temos ainda café acabado de moer e um fundo mineral a lembrar minas de lápis. A boca é encorpada e com uma boa acidez. Continua com ama fceta muito balsâmica a par da fruta saborosa e o café fresco. Final longo e com complexidade.
Temos aqui um vinho que faz jus aos prémios que ganhou até à data. Um vinho muito bem feito, guloso, ao melhor estilo do enólogo. A madeira onde estagiou é de muito boa qualidade e isso transmite-se no vinho. A única questão é que é um Terras do Sado mas poderia ser do Alentejo ou de outra região qualquer. É a descaracterização das regiões. Mas isso não interessa. O vinho é muito bom e muito guloso. 17,5.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Allo Dócil branco 2008

Uma novidade das terras minhotas da parceria entre José António Cerdeira e Dirk Niepoort. Depois de nos brindarem com o Soalheiro Primeiras Vinhas, agora apresentam-nos um branco dócil, um branco mais leve, com ligeiro açucar residual e com um grau alcoólico de 10,5. Precisamos deste tipo de iniciativas, de espíritos inovadores e de produtos novos com qualidade. Estes dois protagonistas não enganam.
Muito oportuna a altura do seu lançamento, num pico de calor, onde este vinho é rei.
Um vinho com uma imagem muito apelativa, jovem, fresca, que sai para o mercado com um preço um pouco acima dos 6 euros.
Cor amarela esverdeada. Aroma de média intensidade com notas vegetais bem integradas com a fruta do tipo pêra, meloa e alguns citrinos. Ligeiro floral.
Boca de médio corpo, com uma bela acidez e ligeira doçura. Continua com as notas que encontrámos no aroma, limão, pêra e o lado mais vegetal. Final longo, com boa complexidade e ligeira doçura.
Uma autêntica surpresa. Um vinho que tem as características dos Soalheiro mas com um perfil mais delicado e podemos dizer, feminino. Uma estreia auspiciosa, que será difícil desagradar a quem quer que seja. Bebe-se muito bem sem acompanhamento ou como parceiro de comida oriental ou umas simples saladas. Sou fã. 16,5.

Casa Santos Lima Sauvignon Blanc branco 2008

Na senda dos brancos frescos, nada melhor que um Sauvignon Blanc. Um Sauvignon do Velho Mundo, não de França (país de origem) mas de Portugal, mais precisamente da Estremadura.
É fácil encontrar um vinho branco barato e que dê prazer beber, ainda para mais com este tempo quente, nada melhor que a frescura de Sauvignon, de um Arinto, de um Ecruzado, de um Alvarinho. Temos no mercado vinhos baratos e em bom número, é só escolher.
Este exemplar feito pela Casa Santos Lima é um exemplo perfeito disso. Um vinho que custa 3 euros, e que acompanha perfeitamente umas boas petiscadas um mesmo sem acompanhamento. Ora vejamos.
Tem uma cor amarelo pálido. Aroma intenso com muitas notas de fruta citrinas a lembrar limão e limas frescas. O vegetal vem a seguir com espargos e relva acabada de cortar. A boca é intensa e de médio porte. Acidez refrescante. Muito vegetal, com relva e ligeiros espargos. Alimonados.
Final longo e fresco.
Não tem a intensidade dos neozelandeses nem a complexidade dos franceses, mas também não é isso que se pretende. Um vinho bem feito, barato, muito interessante. Uma bela aposta. 15,5.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Cabriz Encruzado branco 2008

Vamos falar de uma granda casta, uma grande casta do Dão. Vamos falar do Encruzado. É a casta raínha da região do Dão, uma casta que geralmente dá vinhos com uma teor alcoólico elevado e com uma bela acidez. Uma casta que dá vinhos muito equilibrados, elegantes e que tanto pode ser utilizada em lote, geralmente com a Malvasia Fina e o Bical, ou também é uma casta que se dá muito bem sozinha, com ou sem estagio em barricas de madeira. A par do Alvarinho, formam a grande dupla das castas brancas portuguesas.
A Global Wines, antiga Dão Sul, produz um dos grandes Encruzado do Dão, e tem a particularidade de ser um vinho muito acessível, um vinho com uma grande relação preço/qualidade. Na versão 2008 metade do mosto estagiou em barricas e outra metade em inox.
Apresenta uma cor amarelo esverdeado. Aroma de média intensidade. Notas abaunilhadas acompanhadas de citrinos a lembrar limão. Continua com mais fruta, agora com a pêra, ameixas brancas, maças. Depois vêm as notas florais a lembrar tília. Fundo mineral. Boca com bom corpo, excelente acidez. Notas quentes abaunilhadas, fruta citrina como limão e maça verde. Final longo e muito fresco.
Um belo vinho. Pleno de fruta, elegante e com a madeira bem integrada. Um belo exemplar de um Encruzado com estagio em madeira. Com um preço muito aliciante, perto dos 6 euros, não é de perder. 16,5.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo rosé 2008

Domingos Soares Franco, enólogo da José Maria da Fonseca, criou esta marca, a Colecção Privada, para assim mostrar as suas criações pessoais, especiais, com ligeiro toque Novo Mundo. São vinhos com a sua identidade, vinhos que expressam o seu gosto e as suas experiências enológicas.
Este rosé em prova é a segunda colheita deste vinho, após a estreia no ano de 2007. Na altura foi uma excelente estreia, um vinho único, um rosé excepcional. O Moscatel Roxo, que até aí era uma casta usada somente nos Moscateis, muitos deles considerados os melhores, passou a ser a casta deste maravilhoso vinho. Uma casta inesperada para um rosé.
Agora provamos a colheita de 2008, que segue o mesmo caminho do seu antecessor.
Tem uma cor tijolo clara. Aroma intenso e com muitas notas florais como rosas e jasmins. A boca é de médio porte e com boa acidez. Muitas flores tal como no aroma. Final longo e saboroso.
Temos aqui um belo rosé, provavelmente o melhor português. Um vinho delicado, fresco, um vinho de verão. Perfeito para acompanhar pratos delicados, massas e cozinha oriental ou como simples aperitivo. Aconselho vivamente. 16,5.

La Gitana Manzanilla

La Gitana é o Jerez Manzanilla mais conhecido de Espanha, da região da Andaluzia. É um vinho perfeito para aperitivo ou para acompanhar entradas várias. O único problema com este vinho é aguentar em garrafa 12 meses após o seu engarrafamento. Por isso, temos de estar atento à data do engarrafamento para não termos uma decepção e o vinho estar demasiado oxidado.
Este vinho foi-me dado a conhecer por um amigo bloger, que tem na sua nota de prova uma bela apresentação de como se produz este tipo de vinhos. Leiam, é uma delícia.
A cor é amarelo pálido. Aroma intenso, com frutos secos a comandar as tropas. lembra cajus, amêndoas e também cristalizados. Continua com notas de iodo, maresia. Toque de mel e de baunilha. A boca é de médio porte e com bela acidez, seca. Permanecem os frutos secos, o iodo acompanhado de ligeira baunilha. Final longo e agridoce.
A minha estreia nestes vinhos. Não são nada fáceis, são diferentes de tudo o que já tinha provado. Depois de o provar, entendo a sua capacidade de acompanhar diferentes tapas, como é costume em Espanha. Melhor com comida do que a solo. 15,5.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Vale do Rico Homem rosé 2008

Continuando nos vinhos rosés, passo ao Alentejo, mais precisamente de Reguengos. Esta marca Vale do Rico Homem é feita prepositadamente para o Grupo Jerónimo Martins. A produção e engarrafamento são feitos pelo Monte dos Perdigões. Uma parceria que produz vinhos rosés, brancos e tintos.
O encepamento da vinha do Vale do Rico Homem é Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Syrah, Tinta Caiada, Touriga Nacional, Aragonês e Petit Verdot. Destas cepas saem as uvas que dão origem a este rosé.
Tem uma cor vermelho vivo. Aroma vivo, pleno de fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas. Boca de médio corpo e fresca e com alguma doçura. Continua com a fruta vermelha em foco. Final mediano e saboroso.
Um rosé muito apelativo, tanto no preço como no prazer que dá ao bebe-lo. Um estilo que alia uma certa doçura com uma boa frescura. Uma boa aposta para este verão, pelo menos minha. 15,5.

Short Tail rosé 2007

Numa incursão á África do Sul, fiquei-me por um vinho com uma imagem e nome no mínimo curiosos. Uma homenagem à cauda dos elefentes, neste caso sul africanos.
Um vinho do chamado Novo Mundo, com um preço a menos de 2 euros e que veio acalmar um dia de calor intenso. O que poderemos querer mais? Já agora, deixo outra pergunta: Como é que estes vinhos chegam cá a este preço? Não será a quantidade, porque tembém temos produtores capazes de fazer vinhos deste nível e com esta quantidade. Estou-me a lembrar de uns tantos (Esporão, Sogrape, as próprias adega cooperativas).
Bem, centremo-nos no vinho. Tem uma cor atijolada. Aroma intenso e com muita fruta vermelha. Lembra morangos, alguns em rebuçado, e alguma gelatina. Boca leve, acidez mediana. Mantém a fruta encontrada no aroma e pouco mais. Final mediano.
Temos aqui um vinho bem feito, agradável e que cumpre muito bem o seu papel. Por este preço, é difícil encontrar melhor para as petiscadas. 14,5.

Chão Rijo branco 2006

Com o intuito de conhecer alguma coisa feita em Colares com castas que não conheço e algumas mesmo com nomes exóticos, resolvi comprar uma garrafa de um branco da Adega Cooperativa de Colares. O vinho foi barato, cerca de 3 euros. A queda não seria muito grande, mesmo para um branco de 2006. Queria experimentar uma coisa diferente e fugir um pouco à rotina.
Os solos de onde saíram as uvas para este vinho são argilosos, rijos, daí o nome Chão Rijo, uma expressão usada na região. As castas usadas foram a Malvasia, Galego Dourado e Jampal, que não passaram por madeira, somente por inox.
A cor apresenta-se amarelo citrino. Aroma intenso e com evolução. Fruta madura tipo ananás com um toque lácteo a lembrar iogurte. Mineral e toques de rebuçado. Boca de médio porte e com boa frescura. Mantém a fruta madura com especial destaque para o ananás. Final mediano e com alguma frescura.
Um vinho bem curioso, já com evolução notória. Na primeira prova ainda se apresentou fresco e com fruta. No dia seguinte o vinho parecia outro, demasiado evoluído, de acidez parca e muito flácido. Penso que não se irá aguentar muito tempo. Abriu-me o apetite para conhecer mais vinhos da região. 14,5.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Convento da Tomina tinto 2007

Francisco Nunes Garcia é sinónimo de vinhos de qualidade. Numa das zona mais quentes de Portugal, Moura, consegue imprimir nos seus vinhos características que os permitem evoluir da melhor forma em garrafeira, como disso são exemplos os seus Reserva. São vinhos de perfil quente, guloso, mas que têm uma estrutura e frescura invulgar.
A sua gama de vinhos, somente tintos, começa no Convento da Tomina, passando pelo Francisco Nunes Garcia Reserva e acaba nos topos de gama António Maria e Amália Garcia. Teve em tempos um monovarietal Alicante Bouschet, mas que desde 1999 deixou de o fazer.
O vinho em prova é o entrada de gama, o Convento da Tomina da colheita de 2007. Um vinho que anda na casa dos 6 euros e tem as castas Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Alfrocheiro. Não passa por madeira.
Cor rubi escuro. Aroma de média intensidade a fruta vermelha como morangos, framboesa, alguma compota. Depois temos o café, capuccino. Ligeiro vegetal e chocolate preto.
Boca encorpada com acidez mediana. Permanecem as notas frutadas acompanhadas de café.
Final de bom comprimento e guloso.
Temos aqui um vinho de boa qualidade, num perfil claro do sul alentejano. Vinho com notas maduras, redondo e que se bebe muito bem. 15,5.

Terras do Mendo tinto 2007

Temos aqui uma novidade do Dão, mais precisamente de Oliveira do Hospital.
Luis Vaz Pato, um produtor de uvas que saíam para a Adega Cooperativa de Nogueira do Cravo e que após o insucesso da mesma, aproveitou para arriscar e engarrafar o seu vinho com marca própria. Os conselhos eram favoráveis e a qualidade da matéria prima existia.
É sempre de louvar o empreendedorismo numa região que está a recuperar a passos largos. Os novos projectos vão-nos chegando e isso é muito bom sinal.
Actualmente, o produtor tem 12 hectares de vinha plantados com as castas tintas e brancas características da região. A enologia está a cargo de Elisa Lobo, uma jovem enóloga que está a tempo inteiro neste projecto.
O vinho em prova é da colheita de 2007, feito com as castas Touriga Nacional e Alfrocheiro. Estagia somente em cubas de inox.
A cor é escura, jovem. Aroma intenso numa combinação de notas balsâmicas a lembrar caruma, resinas e algum eucalipto. A fruta aparece a lembrar morangos frescos e cerejas. Ainda temos as flores, de cor violeta e viçosas. Boca de médio porte e com uma bela acidez. Está na linha do aroma, com a fruta, as flores e os balsâmicos. Final longo e saboroso.
Uma bela surpresa, um vinho que está na linha mais tradicional do Dão. Ao provarmos, sentimos as vinhas no meio de pinheiros e eucaliptos. Um projecto que entrou com o pé direito, com um belo vinho que estará no mercado com um preço a rondar os 6 euros. 16.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Gravato Palhete 2005

A Quinta dos Barreiros fica situada na Mêda, distrito da Guarda. Apesar de parte das suas uvas ainda irem para produtores de vinho do Porto, está sobre denominação Beiras, isto é, fora da região Douro.
O vinho Gravato tem o nome de uma batalha na qual as tropas anglo-portuguesas saíram vitoriosas, tendo como adversários os franceses que se viram forçados a sair de Portugal. Foi a batalha do Gravato que teve lugar a 3 de Abril de 1811.
O Palhete, vinho com mistura de castas tintas com brancas já é uma forma de fazer vinho muito antiga. Já em meados do século XX, o Palhete teve grande destaque porque era um vinho muito afamado nas grandes cidades, nomeadamente Lisboa e Porto. O actor Vasco Santana refere-se a ele no filme "A Canção de Lisboa".
O vinho em prova é o Palhete 2005, que tem como diferença do 2004 a utilização da Touriga Nacional e a troca do Rabigato pela Síria. Estagia unicamente em cubas de inox.
Cor rubi de média intensidade. Aroma de boa intensidade com notas de fruta vermelha a lembrar morangos e cerejas juntamente com flores e um ligeiro toque vegetal a mato rasteiro. Boca de médio porte, muito fresca e com ligeira secura. Fruta vermelha gulosa e ligeiro floral. Longo, frutado e fresco.
Um vinho muito curioso. Uma mistura de uvas tinta e brancas, muito frutado, que se deve beber fresco, pelos 12 graus. Acompanha na perfeição pratos de verão e alguns mais robustos, como uma bela sardinhada. A provar, sem dúvida. 15,5.