Navazos Niepoort branco 2008

Publicada por Miguel Pereira terça-feira, 10 de Novembro de 2009 0 comentários

"Convenço-me mesmo que o grande trunfo dos vinhos de Jerez são mesmo os solos calcários, a Flor, e a casta Palomino que actua como catalizadora da minerialidade dos solos calcários. Assim, este vinhos foi eloborado a partir de uma vinho muito especial, que fermentou em botas de 500l, muito velhas. Fermentou naturalmente, com leveduras indígenas e sem controle de temperaturas. Estagiou sobre o Véu e a Bota durante 5 meses, para lhe conferir uma enorme frescura e carácter."

Estas palavras, da autoria de Dirk Niepoort, expressam perfeitamente o vinho que temos em prova.
Uma parceria entre o conhecido produtor duriense e o produtor espanhol, Equipo Navazos, uma das mais prestigiadas adegas de Jerez. Uma parceria com o fim de fazer um vinho de mesa, branco, através da casta com que se faz os Manzanillas, a Palomino. Seguiram o mesmo processo de vinificação, onde as leveduras autóctones da fermentação dão origem à flor e que após estágio nas características Botas (barricas de 500l), é engarrafado e apresentado ao público.
As primeiras impressões não foram consensuais, as opiniões divergiram, mas a curiosidade era muita e toda a gente queria experimentar o vinho. Provei-o em duas ocasiões diferentes e em ambas causou boa impressão. Um vinho completamente diferente do que costumamos beber, onde se notam os aromas a fermento, frutos secos, muitos minerais, principalmente notas salinas e toque floral. Boca de corpo mediano e boa acidez. Algo parca de sabor, nota-se os frutos secos e as notas minerais. Final mediano.
É realmente um vinho diferente, praticamente o oposto dos vinhos que se bebem hoje em dia. Um vinho que primeiro estranha-se, depois entranha-se, como diria o poeta. Sou um dos que gosta. 16.

Cabriz Colheita Seleccionada tinto 2007

Publicada por Miguel Pereira domingo, 8 de Novembro de 2009 2 comentários

Falar de um vinho destes é fácil, fazê-lo com esta qualidade e quantidade é que está ao alcance de poucos. A Dão Sul é um desses produtores, que está sempre na linha da frente e que consegue tirar partido de um projecto muito bem feito, com pés e cabeça, começando a conquistar o mercado com vinhos com qualidade e bastante acessíveis. Agora no seu portefólio já encontramos topos de gama, muito caros e muito bons, como sinal de afirmação e consistência.
A Quinta de Cabriz foi o projecto pioneiro da Dão Sul, e este vinho em prova é o primeiro vinho, a gama de entrada do produtor. Com um preço inferior a 3 euros, é uma das melhores compras, e isto acontece ano após ano.
Feito com as castas Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional, estagia durante 6 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi escura.
Aroma com boa intensidade, onde se notam as flores a lembrar violetas, em companhia de fruta, onde aparecem notas de amoras, cerejas, framboesas, ginjas. Algum chocolate no meio de baunilha e ligeiro balsâmico.
Boca de corpo mediano e boa acidez. A fruta aparece entre as notas balsâmicas e alguma flores. Final mediano e saboroso.
Temos aqui um vinho muito bem feito, com um perfil ideal para agradar a muita gente. Dá uma prova fácil mas saborosa, com tudo muito redondo e prontíssimo para beber. A compra perfeita para o dia a dia. 15,5.

Agora falo de um projecto recente que surgiu na união de uns amigos do vinho. O Primeira Paixão nasce através do saber de dois grandes enólogos portugueses, Francisco Albuquerque e Rui Reguinga, e em boa hora o fizeram, como poderemos ver mais à frente.
Foram à Madeira buscar o Verdelho, uma casta polémica devido à sua nomenclatura. Mas este é o verdadeiro Verdelho, uma das castas usadas nos grandes vinhos, mas muito mal amados, da Madeira, e que dá origem a vinhos muito finos, frutados e frescos.
O vinho em prova é o Primeira Paixão 2008, feito exclusivamente com Verdelho e que estagiou em inox.
Tem uma cor amarelo citrino.
Aroma muito intenso. Notas citrinas a lembrar limão. As nuances mais vegetais vêm ao de cima, com notas de relva acabada de cortar, A fruta continua na versão mais exótica, onde podemos encontrar manga, kiwi, ananás e maracujá.
Boca com bom volume e muito fresca. Notas intensas de fruta, ora citrina, ora tropical, sempre na companhia de sabores vegetais. Final longo e muito fresco.
Provar e beber este vinho deu-me muito prazer. Um vinho muito intenso, muito fresco, com a casta em grande plano a mostrar todo o seu potencial. Faz-nos pensar porque será que não temos mais vinhos assim. Nota mais para a imagem, para o rótulo, que na minha opinião está belíssimo, muito apelativo.
Penso ser um projecto com tudo para dar certo, assim continuem os vinhos e assim continue o desejo de ser diferente e apresentar produtos distintos. Muito bem. 16,5.

Redoma Reserva branco 2008

Publicada por Miguel Pereira sábado, 7 de Novembro de 2009 2 comentários

Chega-nos do Douro o vinho que é, seguramente, um dos melhores brancos portugueses. Algumas colheitas chegam mesmo à excelência e ao nível dos grandes vinhos brancos do mundo. O autor da proeza é Dirk Niepoort, um autêntico visionário e cujo nome é sinónimo de qualidade.
É um branco feito com vinhas velhas, com mais de 60 anos, plantadas a uma altitude entre os 400 e os 800m, onde as temperaturas são mais amenas e assim as maturações são mais longas e equilibradas, conseguindo assim uma maior frescura.
As uvas que entraram no lote foram o Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto. Após vinificação em barricas de carvalho francês, estagia por mais 9 meses nas mesmas.
Cor amarelo palha.
Aroma intenso, com notas tostadas e ligeiramente fumadas. Depois aparecem flores e notas minerais. A fruta aparece a lembrar citrinos, com limão e laranja. Continua com frutas de caroço, principalmente ameixas.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Notas tostadas, com toques de baunilha, flores e fruta. Fundo mineral. Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho com muita qualidade. Estrutura e profundidade muito boas, um grande equilíbrio com a acidez, a juntar a bela complexidade. Apesar de encorpado, ele não é nada pesado, num conjunto muito equilibrado e que neste momento já dá muito prazer, apesar de não virar a cara a uns anos pela frente. Um belo branco português. 17,5.

Soalheiro Alvarinho Primeiras Vinhas branco 2008

Publicada por Miguel Pereira sexta-feira, 6 de Novembro de 2009 2 comentários

Muito se falou e fala deste vinho. Depois da estreia com a colheita de 2006 e com o excelente 2007, quase que estávamos em suspenso à espera da nova colheita.
A marca Soalheiro é um dos melhores brancos da região dos Vinhos Verdes e mesmo de Portugal. São brancos que não facilitam, antes mostram o lado mais austero do Alvarinho, onde a fruta não reina, mas sim a mineralidade e as notas mais vegetais. São vinhos que aguentam bem em cave e que são um deleite para qualquer enófilo que se preze.
Em 2006, em parceria com Dirk Niepoort, é lançado pela primeira vez o Primeiras Vinhas. Como diz o nome, é um vinho feito com as primeiras castas de Alvarinho plantadas pelo produtor. Um vinho que não passa por madeira e que procura transmitir todo o potencial da casta.
Tem uma cor amarelo citrino.
Aroma fino e intenso. Nota-se uma grande austeridade, onde aparecem citrinos com lima e limão, muitos minerais, pedregoso, fumados.
Boca com bom volume e uma excelente acidez. Continua com as notas citrinas, agora acompanhadas de ananás e muito mineral. Final longo e muito fresco.
Não é um vinho fácil. Ao contrário do 2007 que, apesar da austeridade que tinha, conseguia transmitir a intensidade e a fruta típica do Alvarinho, este 2008 é muito fechado, muito austero, onde somente sentimos o seu lado mais sisudo. Temos aqui um vinho com um longo futuro pela frente, com muita qualidade, mas que neste momento, está uns furos abaixo do 2007. Talvez seja unicamente uma questão de gosto. 17.

Adegaborba.pt Reserva rosé 2008

Publicada por Miguel Pereira quarta-feira, 4 de Novembro de 2009 0 comentários

Este foi o meu companheiro de verão. Um vinho da Adega de Borba que, como é costume, apresenta um bom produto com um preço baixo. O vinho custa menos de 3 euros na Adega.
Um vinho feito de Aragonês e com tratamento em inox.
A cor é rosa escuro, quase avermelhado.
Aroma intenso e guloso, com notas de fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas. Ligeira nota vegetal e alegrar o conjunto.
Boca com volume mediano, tal como a acidez. Alguma doçura residual. Muito frutada e com uma ponta vegetal. Final mediano, com alguma doçura.
Um vinho bem feito, com um perfil muito frutado e adocicado, que o torna guloso e óptimo para aperitivo. Quem gosta de rosés docinhos, ligeiros, tem aqui uma boa escolha. 14,5.

Monte da Peceguina tinto 2008

Publicada por Miguel Pereira 0 comentários

Monte da Peceguina é a gama de entrada deste produtor alentejano. Um vinho que não é propriamente barato, com um preço a rondar os 8 euros, não poderá ser considerado um vinho para o nosso dia a dia, pelo menos para a maioria dos consumidores de vinho.
Tenho provado este vinho desde a sua primeira colheita e confesso que sou um fã dele. Uma excelente imagem, um estilo muito frutado e guloso.
Esta é a colheita de 2008, que foi feita com as castas Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon e que teve um estágio parcial em barricas de carvalho francês durante 7 meses.
Sai da garrafa com uma cor escura, jovem.
Aroma com boa intensidade. Notas tostadas, chocolate preto amargo, fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas ácidas. Toque vegetal a lembrar pimentos.
Boca com bom volume e boa acidez. Muito frutada, tem a companhia de tosta, chocolate preto. Ligeiro toque vegetal. Bom final, guloso.
À semelhança dos anos anteriores, este vinho apresenta-se já prontíssimo a beber, com um perfil guloso, frutado, com alguma complexidade. Temos aqui a receita para o sucesso, com um vinho fácil mas não modesto, com um vinho moderno, jovem e urbano. Temos aqui a receita certa. 16.

Quinta dos Quatro Ventos tinto 2006

Publicada por Miguel Pereira terça-feira, 3 de Novembro de 2009 0 comentários

Continuamos na Aliança, agora no Douro na região de Numão, Douro Superior. É lá que fica a Quinta dos Quatro Ventos, uma quinta centenária, pertencente à Aliança. São 45 hectares plantados com s castas tradicionais. Temos Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Tinta Amarela. Daqui saem os vinhos Foral e Quinta dos Quatro Ventos, ambos colheita e reserva. Aqui provamos o colheita 2006, um tinto feito com Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Estagia 12 meses em barricas novas de carvalho francês e russo. Nota ainda para a quantidade produzida. São 100.000 garrafas deste vinho, um número bem elevado para o panorama português e principalmente pela qualidade que apresenta colheita após colheita.
Tem uma cor escura.
Aroma intenso, onde se destacam as notas de fruta escura a lembrar ameixas, amoras e ginjas. O ambiente é tostado de onde aparecem, algo escondidas, notas de flores a embelezar o conjunto.
Boca gorda e com boa acidez. Boa fruta, elegante, a confirmar o aroma. Fumados, tosta e algumas flores dão forma e complexidade ao conjunto. Final longo e bastante apetecível.
Temos aqui um vinho com uma bela complexidade, num conjunto bem composto, elegante, fino. Com um preço a rondar os 10 euros, é uma escolha certa para quem quer qualidade elevada sem gastar muito dinheiro. Venham mais vinhos assim. 17.

Quinta das Baceladas tinto 2005

Publicada por Miguel Pereira segunda-feira, 2 de Novembro de 2009 2 comentários

A Quinta das Baceladas é uma referência da Bairrada. Situada na zona de Cantanhede, esta quinta pertencente à Aliança, é uma das melhores relações entre o preço e a qualidade de Portugal. Geralmente custa menos de 10 euros e em qualidade não vira a cara a vinhos bem mais caros. Um perfeito exemplo do que teremos de fazer para vingar no mercado internacional.
As castas plantadas na Quinta das Baceladas são a Baga, Cabernet Sauvignon, Merlot e Tinta Roriz. Os vinhos, sob a batuta de Francisco Antunes e Pascal Chatonnet, aliam o lado mais tradicional e regional da Baga com um perfil mais internacional das restantes castas.
Este vinho é um exemplo disso. Ao melhor estilo bordalês, o Cabernet Sauvignon e o Merlos andam juntos, aqui acompanhados pela bairradina Baga. Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Apresenta uma cor muito escura.
Aroma intenso. Notas tostadas, vegetal seco, terroso, especiarias a lembrar pimenta preta. A fruta aparece na forma e ameixas e mirtilos. Temos ainda notas de pimentão vindas do Cabernet e um ligeiro toque floral.
Boca encorpada e muito fresca. Fruta madura (ameixas), tostas, chocolate, especiarias (pimenta preta) e pimentão. Final logo e complexo.
Temos aqui um vinho que ainda está um pouco bruto, ainda muito jovem. Nota-se o perfil bordalês, apimentado, vegetal. Está com uma bela complexidade, boa estrutura, ainda com as partes por arrumar. Um bairradino para o futuro. 17.

Visita ao Zambujeiro

Publicada por Miguel Pereira domingo, 1 de Novembro de 2009 0 comentários


Aproveitámos um belo fim-de-semana solarengo e fomos ao Zambujeiro, perto de Vila Viçosa.
Fomos recebidos pelo Nuno Malta que nos mostrou as instalações entre explicações e provas de barrica. Cubas em inox para vinificação do Monte do Zambujeiro de Terra do Zambujeiro e 4 balseiros em carvalho para o Zambujeiro. Sala de barricas das melhores marcas e com várias tostas, onde provámos os vinhos de 2008 ainda em pleno estágio. Começámos pelo Aragonês, muito elegante, perfeito para o blend, Touriga Nacional, belo tanto no aroma como na boca, Cabernet Sauvignon, intensas notas vegetais e com uma belíssima acidez e o Alicante Bouschet, preto, poderoso, grande estrutura. São as 4 castas que vão dar origem aos vinhos de 2008. Muito didáctico. Passámos à prova do Zambujeiro 2007, ainda em estágio. Um vinho poderoso, muito estruturado, pleno de fruta, muito jovem.
O tempo urgia e ainda íamos buscar um bicharoco para nos saciar a prova de vinhos espanhóis que tínhamos pela frente.
Resta-me agradecer ao Nuno o tempo despendido ao nos receber.
Deixo uma fotos que tirei ao longo da visita.








5 tintos do Douro

Publicada por Miguel Pereira sexta-feira, 30 de Outubro de 2009 0 comentários



Fiz uma prova caseira de alguns vinhos da colheita de 2007 do Douro. Um colheita de onde se esperam grandes vinhos na região, uma ano que originou grandes vintages. Podemos dizer que é a região portuguesa que está mais em alta e de que muito se fala lá fora, isto apesar de "cá dentro", em Portugal, não é a que mais vende, sendo esse prémio para o Alentejo. Nesta prova nota-se a diferença de estilos na região, mas principalmente nos produtores, com vinhos mais concentrados, outros mais austeros e outros mais elegantes e mais bebíveis desde já. Mas fica a conclusão, são todos grandes vinhos e que fazem jus à região e a Portugal.

Quinta do Noval 2007

Produtor tradicional de vinho do Porto, aposta a sério nos vinhos de mesa com este vinho com a colheita de 2004, logo entrando para o topo dos vinhos da região. Provamos agora a terceira colheita depois do 04 e 05.
Feito com as castas tradicionais do Douro, estagia em barricas de carvalho francês.
Tem uma cor muito escura.
Nariz profundo e intenso, com notas fumadas, minerais, especiadas, onde encontramos pimenta preta. Fruta elegante a lembrar cerejas e amoras, no meio de flores e ervas campestres, com estevas e rosmaninho. Acaba com chocolate preto.
Boca encorpada mas não espessa e muito fresca. Notas achocolatadas entra a fruta muito elegante e notas florais. Final longo e complexo.
Temos aqui um grande vinho, longe da concentração e extracção, mas antes a dar primazia à elegância e profundidade. Um Douro diferente. 18.

Aneto Grande Reserva 2007

Esta marca do enólogo Francisco Montenegro tem algum tempo, sempre com vinhos muito bons e com uma grande relação entre o preço e a qualidade. A versão Grande Reserva aparece com a colheita de 2006, considerado por muitos um dos melhores vinhos desse ano. Continua em grande estilo com este 2007. Um blend de 50% Tinta Roriz e 50% Touriga Nacional. Estagia 18 meses em barricas novas de carvalho francês.
Cor muito escura.
Aroma intenso e complexo. Muito fruta compacta, entre amoras, cerejas e alguma framboesas ácidas. Flores e mato rasteiro a lembrar estevas e alfazemas. Fundo mineral.
Boca muito encorpada e com uma bela acidez. Taninos robustos mas doces. Uma bela mistura entre flores, fruta , mineral e chocolate preto, Final longo e complexo.
Temos aqui um grande vinho, num perfil diferente do Noval, num estilo mais duro, mais austero, ainda com muito para mostrar. 18.

Quinta das Tecedeiras Reserva 2007

O vinho da região do Douro da empresa Dão Sul/Gloabal Wines. Geralmente são vinhos muito bons e com um preço muito apetecível. Este 2007 foi feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca a Tinta Amarela. Estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor escura.
Aroma intenso. Notas de café, chocolate em pó, chá preto. A fruta aparece com notas de framboesas e ameixas. Aparecem depois flores em ambiente mineral.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Confirma os que encontramos no nariz. O café, o chocolate em pó, fruta elegante e flores.
Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho que já está bem bebível, complexo, já com um bom entendimento e equilíbrio entre as partes. Uma boa aposta. 17.

Quinta da Leda 2007

Um nome forte do produtor e do Douro. Um vinho já com um historial importante e que representa bem a região e todo o potencial que ela tem. É um vinho lançado cedo no mercado, com 2 anos de vida, mas que geralmente porta-se bem com alguns anos em garrafa.
Esta colheita de 2007 tem as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. São escolhidas as áreas da vinho onde existe maior maturação. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês.
Cor escura, profunda.
Aroma intenso e compacto, com fruta a lembrar framboesas, ameixas e cerejas. Continua com notas balsâmicas, com cera e pinhal. Toque floral e ligeiro tabaco.
Boca gorda e com uma bela acidez. Taninos robustos mas doces. Sabores muito frutados, envolvidos em notas balsâmicas, com cera. Sobra espaço para as flores e para toques minerais. Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho ainda muito jovem, que precisa de tempo para mostrar o que vale. Neste momento mostra-se fechado, compacto, já com alguma elegância, mas um pouco rebelde. A provar daqui a uns anos. 17.

Batuta 2007

O Batuta é um dos vinhos mais conceituados do Douro, já muitas vezes presenteado com o prémio de Excelência da Revista de Vinhos. Um vinho que não sai todos os anos e que representa aquilo que esperamos de um grande vinho. A base do Batuta é a Vinha do Carril, com cerca de 70 anos de idade e virada a norte, onde as maturações são mais lentas e equilibradas e de vinhas velhas com cerca de 100 anos, perto de Quinta de Nápoles. As castas utilizadas foram a Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e outras. Estagia 20 meses em barricas de carvalho francês.
Tem uma cor escura.
Aroma intenso e concentrado. Notas frutadas intensas a lembrar cerejas e ameixas pretas. Especiarias, com notas de pimenta preta e leve baunilha. Temos ainda chocolate de leite e grãos de café. Fundo mineral.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Confirma o aroma. Temos lá a fruta, as notas de chocolate e café e ainda a mineralidade. Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho onde se nota uma mudança de perfil. Onde tínhamos extracção, volume e fruta madura e compacta, temos agora um perfil mais fresco, menos frutado. Será menos guloso na prova, mas à mesa, onde ele deve ser apreciado, brilhará como poucos. 17,5.

Cabreo La Pietra branco 2004

Publicada por Miguel Pereira terça-feira, 27 de Outubro de 2009 4 comentários

Para saciar a minha curiosidade, gastei uns trocos num vinho que há muito queria provar. Um Chardonnay da Toscânia, muito conceituado internacionalmente e que está no top dos brancos italianos.
Foi arriscada a compra de um branco de 2004 que, apesar de estar bem acondicionada, não saberia aquilo que iria encontrar. Mas o risco faz parte da vida de um enófilo, não é verdade?
Este vinho é feito com a casta Chardonnay e estagia 12 meses em barricas de carvalho. Pelo menos passa 6 meses em garrafa antes de sair para o mercado.
Cor amarela intensa.
Aroma com boa intensidade e com muitas notas químicas a lembrar plasticina a juntar às tradicionais notas de manteiga fresca. Em ambiente fumado e mineral, aparecem notas de biscoito de laranja e ananás bem maduro.
Boa gorda e (ainda) com boa acidez. Confirma o nariz. Sentimos sabores químicos e amanteigados, na companhia de fruta muito madura e fumo. Final longo e complexo.
Uma bela surpresa. Temos aqui um vinho com uma boa evolução mas que está no ponto (ou mesmo já em fase decrescente) parta beber. Dá muito prazer, mesmo bebido sem acompanhamento, somente degustando a sua complexidade. Com um pouco mais de vivacidade e seria um caso muito sério. 17.

Altas Quintas Crescendo tinto 2006

Publicada por Miguel Pereira segunda-feira, 26 de Outubro de 2009 0 comentários

Em prova temos mais um vinho do projecto Altas Quintas, produtor que veio dar uma lufada de ar fresco na região norte alentejana.
Este vinho é feito essencialmente com a casta Aragonês, uma das mais utilizadas na região, juntamente com a Trincadeira e Alicante Bouschet. Em 2005, o Aragonês teve a companhia da Trincadeira. Já em 2006, foi acrescentado o Alicante Bouschet às outras duas castas. É vinificado em balseiros de carvalho francês e estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho francês.
A cor é escura, profunda.
Aroma intenso. Notas de fruta a lembrar cerejas e ameixas. Estas estão bem acompanhadas de baunilha e de um lado mais balsâmico, com notas de eucalipto.
Boca com bom corpo e com uma bela frescura. Continua num perfil muito frutado, agora na presença de tosta e também de baunilha. Aparece entretanto o lado mais vegetal, mais balsâmico, lembrando a sua origem. Final longo e com bastante frescura.
Temos aqui um vinho que é um filho da Serra de São Mamede. Alia a fruta elegante com a frescura característica da região e os balsâmicos que não podiam deixar de aparecer. Um vinho muito bem feito, aliás, como é apanágio deste produtor. 16.

Antão Vaz da Peceguina branco 2008

Publicada por Miguel Pereira domingo, 25 de Outubro de 2009 0 comentários

A prova deste vinhos fez-me pensar nos brancos portugueses. O nosso clima mediterrânico permite-nos fazer brancos com qualidade? Bem sei que temos vários "climas" e vários terroirs e também castas capazes de oferecer vinhos brancos únicos, com grande capacidade de evolução, mas é um trabalho recente. O que a nossa concorrência faz há muito anos, começámos nós a fazê-lo recentemente. A moda dos brancos também ajudou a que os produtores olhassem para eles com outros olhos, com mais investimento enológico e melhor conhecimento das castas e também melhor trabalho com madeira.
As castas, essas, têm enorme potencial, e não tenho de pensar muito para lembrar-me de meia dúzia capazes de gerar grandes vinhos - Arinto, Alvarinho, Loureiro, Antão Vaz, Malvasia-Fina, Encruzado. O trabalho está a ser feito, e muito bem, os vinhos estão cada vez melhores e isso acontece de ano para ano.
Uma das castas que está na moda, e é uma moda recente, é o Antão Vaz. Uma casta nativa do Alentejo, mais precisamente da Vidigueira e que já se espalhou por toda a região. Não existe produtor que se preze que não a tenha na sua vinha.
Um desses casos é a Herdade da Malhadinha Nova, um projecto recente, mas de enorme qualidade. Este Antão Vaz faz parte do seu espólio de brancos. Foi vinificado e estagiado em inox.
Tem uma cor amarelo citrino intenso.
Aroma de médio intensidade e elegante. Notas frutadas de pêra, melão, maça. Lado mais exótico com abacaxi e maracujá. Fundo mineral.
Boca encorpada e com boa acidez. Confirma as notas frutadas do aroma e a mineralidade está bem presente. Final longo e fresco.
Temos aqui um branco com as características da casta, aqui na sua faceta mais austera, com a fruta a passar para segundo plano. Um vinho perfeito para a mesa e não vira a cara a pratos mais intensos e calóricos. 16,5.

Vintages 2007

Publicada por Miguel Pereira 0 comentários



Os Vintage 2007 estão a chegar e em boa hora, porque parece ser uma colheita fora de série. Foi um ano propício a grandes vinhos e os Vintage não fogem à regra. As maturações foram lentas, o que em Setembro fez temer o pior. Se as chuvas aparecessem, estragaria tudo, dado que as uvas ainda não estavam prontas. Mas Setembro foi um parceiro importante para os produtores. Praticamente não choveu, com os dias solarengos e as noites estiveram amenas, as uvas amadureceram bem a em perfeito estado sanitártio.
Os vinhos vão sendo provados pelos críticos e as opiniões vão sendo unânimes. É realmente uma colheita única.
Richard Mayson. na sua prova anual dos Vintage, proferiu várias vezes as palavras pureza, elegância, frescura da fruta, nas suas notas de prova. Na sua opinião não será um blockbuster com foi o 2003, vinhos cheios, robustos e sobre-maduros, antes vinhos elegantes, com taninos incisivos, mas a mostrar desde já a sua elegância. São vinhos que poderão ser bebidos cedo, já, mas que durarão muito anos na nossa garrafeira. Avaliou muitos vinhos com nota alta, com destaques especais para o Graham, o Dow's, Vesúvio Capela e o Vergellas Vinha Velha, ao contrário da Reviste Vinhos que, na sua prova, elegeu Fonseca e o Quinta do Vesúvio como os melhores em prova. Unânime foi a opinião da grande qualidade dos vinhos, com notas muito altas.
Como curiosidade, a Quinta do Vesúvio declarou dois vinhos de Quinta do Vesúvio e o Quinta do Vesúvio Capela. mais um exemplo da abundante qualidade da colheita.
Eles estão aí, mais explendorosos que nunca e a um preço barato. Se podermos compra-los já vamos ter grandes alegrias no futuro, numa altura em que já não os poderemos comprar.

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